O Sabão no Combate ao COVID – 19

Uma receita antiga é a nossa melhor arma contra doenças infecciosas: a água com sabão é altamente destrutiva para os microorganismos.

Lavare le mani; мыть руки; Hände waschen; 请洗手…

Em qualquer idioma, a mensagem mais importante do momento é clara: lave bem as mãos.

Não importa quão avançada esteja a Ciência no século 21, a principal arma durante a pandemia de coronavírus é a antiga tecnologia de combinar sabão e água.

Uma das principais medidas de prevenção ao coronavírus indicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é lavar as mãos com água e sabão. O sabão, por ser uma substância que quebra a gordura, consegue destruir o envelope viral – parte externa do vírus composta justamente por gordura, matando esses organismos.

Vejamos uma entrevista do G1 com o virologista e integrante do centro de pesquisa em vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Dr. Flávio Fonseca, onde reforça que o sabão tem duas formas de ação que fragilizam e matam esses organismos.

Fonseca explica que o vírus, quando está na mão de uma pessoa, fica protegido por outros produtos biológicos, como resto de células. Esses produtos biológicos tornam possível que o vírus viva mais tempo fora do corpo.

“Um vírus sozinho, em água, por exemplo, sobrevive muito pouco tempo. Então o sabão age destruindo esses materiais biológicos e expondo o vírus. Quando ele faz isso, o vírus perde essa proteção de material biológico que fica naturalmente nessas gotículas de saliva e ele fica exposto aos raios ultravioleta do sol, por exemplo, e pode ser destruído rapidamente” – Flavio Fonseca, virologista da UFMG

Fonseca diz que o sabão tem uma segunda forma de agir sobre o vírus. “O sabão é emulsificante, ele desmancha a gordura.” O virologista explica que a parte mais externa do coronavírus é uma camada de gordura e o sabão desmancha essa camada e mata o vírus.

“Nessa camada de gordura, que a gente chama de envelope viral, estão inseridas as proteínas que são responsáveis pela ligação do vírus às células. Sem essa camada de gordura, essas proteínas são perdidas e o vírus não consegue entrar nas células.” – Flavio Fonseca, virologista da UFMG.

Você já se perguntou por que essa combinação de água e sabão funciona tão bem?

O que para nós pode ser tão agradável que se torna relaxante (o som da água, o prazer de senti-la escorrer sobre a pele, o aroma do sabão e a pausa) é, para microorganismos, altamente destrutivo. Uma única gota de sabão na água pode matar inúmeras bactérias e vírus….

Bem, vamos descobrir qual o segredo do precioso Sabão

O sabão é uma mistura de gordura, água e álcalis ou sal básico.

E o que é álcalis?

O álcali vem do árabe: Al-Qaly, que é o que os sumérios usavam em 3000 a.C., a referência mais antiga conhecida.

A receita que usamos hoje é muito semelhante à registrada em escrituras antigas, e por um bom motivo: porque essa solução escorregadia cumpre seu papel, a limpeza.

O segredo está nas características de cada extremidade das moléculas de sabão, que têm cabeça e cauda. A cabeça é hidrófila, enquanto a cauda é hidrófoba e lipófila. Em outras palavras, é atraída pela água, de um lado, e por óleo ou gordura, do outro lado.

Quando você está lavando as mãos e as moléculas de sabão se encontram com gordura, suas caudas são atraídas por ela enquanto a cabeça permanece na água.

As forças de atração entre as cabeças e a água são tão fortes que levantam a gordura da superfície, de modo que ela é completamente cercada por moléculas de sabão, que a separam em pedaços cada vez menores, que são então arrastados com a água.

Mas por que esse processo é tão eficaz contra os vírus como o que causa a covid-19?

A ‘Morte’ do vírus

Fonte: BBC

O coronavírus, como todos os vírus, é basicamente um conjunto de instruções (fragmentos de código genético) em busca de células para invadir e forçá-las a seguir seus comandos.

Mas acontece que essas instruções – o ácido ribonucleico (RNA) – são empacotadas no que é conhecido como envelope viral, e o do Sars-CoV-2 é composto de lipídios, que são gorduras

Diante do sabão, esse é o calcanhar de Aquiles do vírus.

Quando o coronavírus está nas suas mãos, ele não consegue penetrar na pele, pois sua camada externa é levemente ácida, mas eles podem permanecer lá esperando a oportunidade de entrar no corpo por lugares mais vulneráveis.

E é nesse momento que você pode interceptá-lo e destruí-lo, simplesmente lavando as mãos.

O sabão não apenas solta o vírus da pele, mas também faz com que o envelope viral se dissolva, de modo que proteínas e o RNA deslizem e o vírus morra metaforicamente (ele é, na verdade, desativado, pois os vírus não estão exatamente vivos).

Aí, a água leva os restos do que até 20 segundos atrás era uma séria ameaça à nossa saúde e à dos outros.

 

Por que 20 segundos?

Fonte: BBC

Porque leva algum tempo para a mágica do sabão acontecer e, além disso, também precisamos de alguns segundos para garantir que estamos ensaboando todos os lugares.

Os desinfetantes também funcionam, mas a maravilha da água com sabão é que você só precisa de um pouco de produto para usar em toda a mão e, apenas esfregando, se livra dos indesejados.

Para conseguir o mesmo efeito com outros produtos, que geralmente contêm álcool, você precisa encher com essas substâncias todos os cantos onde os vírus podem estar ocultos.

 

Vasco Azevedo, professor titular do departamento de Genética, Ecologia e Evolução da UFMG, afirma que o sabão causa instabilidade e atrapalha a sobrevivência tanto dos vírus como das bactérias. “O álcool 70% tem o mesmo efeito, ele também destabiliza e desidrata tanto as proteínas como os lipídios (gorduras). O álcool é um bom complemento para a higienização”, explica Azevedo.

O Conselho Federal de Química (CFQ) explica que o uso de água e sabão e do álcool gel na higienização das mãos ajudam na prevenção ao contágio de doenças por serem antissépticos – agem inibindo a proliferação de microrganismos na pele. “Sabões e detergentes de um modo geral, graças às suas propriedades químicas, removem a maior parte da flora microbiana na superfície da pele.” Explicou o CFQ.

“Eles são compostos de moléculas que apresentam em sua estrutura uma parte apolar e outra polar. A parte apolar, lipofílica – (que dissolve gorduras), é quimicamente atraída pelas moléculas apolares dos lipídios (gorduras) constituintes da membrana celular dos microrganismos. Simultaneamente, a parte polar interage com as moléculas de água (que também é polar). Essas interações simultâneas fazem com que os microrganismos sejam envolvidos pelo sabão, retirados da pele e levados embora com a água.” nota do Conselho Federal de Química.

Júlio César Borges, professor titular do Instituto de Química de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP), explica que alguns vírus tem lipídios (gorduras) que são similares as do sabão, com isso, ao lavar as mãos com água e sabão, as partículas semelhantes se juntam, eliminando o vírus. “Se você desmonta a estrutura, o vírus perde a ação”, diz Borges.

“É importante lavar as mãos para evitar qualquer tipo de infecção, é uma questão de assepsia, para evitar doenças de forma geral” – Júlio César Borges – professor titular do Instituto de Química de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP).

Fontes de pesquisa:

https://www.bbc.com/portuguese/geral-52096406

https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/bbc/2020/04/01/coronavirus-o-que-o-sabao-faz-com-o-virus-que-causa-a-covid-19.htm

http://www.fundep.ufmg.br/sabao-coronavirus-bemestar/

https://panoramafarmaceutico.com.br/2020/03/11/coronavirus-saiba-o-que-torna-o-sabao-eficiente-contra-virus/